24 Abril 2011

Fuga da realidade?

Confesso que me incomoda profundamente nas pessoas essa dificuldade em respeitar a individualidade alheia. Ou, pelo menos, em vê-la como algo inofensivo.

Não querer participar dessa "sopa" chamada sociedade e seus núcleos (família, colegas de trabalho, grupos da escola, etc) não significa necessariamente antipatia, ódio ou depressão. Fosse assim, os políticos seriam as melhores pessoas do mundo, porque estão sempre cobertos por uma casca de sociabilidade e simpatia incríveis (é claro, o emprego deles depende disso!).

Minha apatia é reflexo do que eu sinto. Das minhas frustrações, dos meus medos, dos meus desejos secretos, das opiniões que não compartilho com ninguém. Sou a soma de muitas coisas (algumas delas não muito saudáveis, é bem verdade, mas fazem parte de mim), e se não me sinto à vontade em compartilhar o que se passa aqui dentro, não queria necessariamente que isso preocupasse as pessoas ao meu redor.

Eu estou bem, gente. Juro.

A verdade é que eu NÃO SINTO essa necessidade de sociabilização que a maioria das pessoas sente. E, em geral, não dou a mínima para isso. Vivo numa boa assim. Então, poupem-me dessa ladainha de "-Ah, você só gosta de te ficar sozinho... tem que se enturmar mais, participar...". NÃO, GALERA, EU NÃO TENHO QUE PARTICIPAR. Ponto. Participo quando eu estiver a fim e me sentir à vontade. Ponto. "-Ah, mas você é legal... a gente gosta de você, da sua companhia..." Aaaah, puxa! Que bom! Parabéns! MAS NÃO É SEMPRE QUE EU SINTO ESSA MESMA VONTADE, belê?

Acho que saber respeitar o tempo de cada um é fundamental. Todo mundo tem seu tempo. E todo mundo enfrenta seus próprios problemas da forma que dá (e convém). Eu, normalmente, não peço ajuda pra ninguém pra resolver os meus. Detesto a sensação de estar incomodando os outros ou depender deles de alguma forma. Por isso, tento resolver as coisas sozinho mesmo. Não vejo nenhum problema nisso.

E, gente, eu não sou como o atirador do Realengo. E, definitivamente, não sinto mais vontade de morrer, por mais difíceis que as coisas sejam às vezes. Tampouco acredito que tenha um comportamento psicótico, depressivo, ou sociopata. Como diria o Lobão naquela canção, "eu não posso causar mal nenhum a não ser a mim mesmo, a não ser a mim..".

Não sei vocês, mas eu tenho medo é de gente que "se relaciona bem com todo mundo". E não o contrário.

1 comentários:

Carol Rodrigues disse...

Eu tenho vontade de escrever, como se faz no twitter, um ( 2 membros ) no final de cada frase desse texto...

Enfim